
UM SINAL DE CONFIANÇA E DE ENTREGA
Existem gestos tão simples que dizem mais do que muitas palavras. Um deles é a presença de uma rosa branca, fresca, pousada sobre o mármore da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, junto dos restos mortais do Papa Francisco.
Esta rosa branca não foi colocada ao acaso. Representa o fio espiritual que percorreu toda a vida de Jorge Mario Bergoglio: a sua terna devoção a Santa Teresa de Lisieux — a “pequena Teresa”, Doutora da Igreja e mensageira da confiança absoluta no amor de Deus.
Francisco partilhou, ainda como Arcebispo de Buenos Aires, que, perante as dificuldades, recorria sempre a Santa Teresinha. Não para pedir a resolução dos problemas, mas para lhos confiar, pedindo que os tomasse nas suas mãos e lhe alcançasse a graça de os aceitar com serenidade.
Este gesto de confiança repetiu-se nos momentos mais significativos da sua missão. Em 2013, após a vigília pela paz na Síria, encontrou, ao regressar a Santa Marta, uma rosa branca vinda dos Jardins Vaticanos. Nos seus últimos dias, depois da hospitalização no Hospital Gemelli, recebeu uma nova rosa branca, enviada directamente de Lisieux. Agora, discretamente, uma última rosa branca permanece junto ao seu túmulo — testemunho silencioso de uma confiança que nunca ficou sem resposta.
Neste pequeno gesto ecoa uma profunda lição para todos nós que desejamos servir segundo o coração de Cristo: nem sempre somos chamados a resolver o que nos ultrapassa. Muitas vezes, a fidelidade consiste simplesmente em confiar e aceitar, oferecendo a Deus aquilo que não compreendemos, certos de que Ele acolhe nas Suas mãos as nossas preocupações.
Neste gesto tão simples permanece uma interpelação discreta: nem sempre conseguimos mudar o que nos ultrapassa. Muitas vezes, o que nos é pedido é confiar, atravessar a incerteza e continuar a oferecer o melhor de nós mesmos, mesmo quando o sentido pleno das circunstâncias nos escapa.
Tal como Francisco e Santa Teresinha ensinaram com a vida, também nós podemos aprender que uma pequena flor, uma entrega silenciosa ou um esforço escondido têm, no mistério de Deus, um valor que ultrapassa o que vemos. No caminho de quem serve, muitas vezes é nesta confiança silenciosa que se encontra a verdadeira fecundidade.
RRP.
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