
QUEM SÃO OS PAPABILI E QUE IGREJA ESPERAM LIDERAR

No dia 21 de Abril de 2025 foi oficialmente constatada a morte do Papa Francisco, após mais de doze anos de pontificado marcados pela coragem da reforma, a proximidade aos pobres, a sinodalidade como estilo e a ousadia do diálogo com o mundo. Esta perda coloca agora a Igreja Católica diante de um novo tempo de discernimento: a eleição do seu próximo pastor universal.
O Colégio dos Cardeais – actualmente com 135 eleitores – reunir-se-á em Conclave nas próximas semanas para escolher o sucessor de Pedro. Muitos destes cardeais foram nomeados pelo próprio Francisco, o que poderá inclinar a escolha para alguém que continue a linha pastoral e missionária do Papa argentino. No entanto, como a história bem nos ensina, o Espírito Santo sopra onde quer, e os conclaves guardam sempre espaço para o imprevisto.
Quem são os papabili?
“Papabile” é o termo tradicional usado para designar um cardeal considerado com possibilidades reais de ser eleito Papa. Eis alguns dos nomes mais citados nos bastidores vaticanos e na imprensa internacional, agrupados em três grandes perfis:
Perfis de continuidade com Francisco
- Pietro Parolin (Itália, 70 anos) Actual Secretário de Estado, destaca-se pela sua eficácia diplomática e profundo conhecimento da Cúria Romana. É visto como uma figura de equilíbrio e moderação.
- Matteo Zuppi (Itália, 69 anos) Arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana. Próximo da Comunidade de Santo Egídio, é conhecido pelo seu compromisso com a paz e a inclusão. Alinha-se fortemente com a sensibilidade pastoral de Francisco.
- Luis Antonio Tagle (Filipinas, 67 anos) Pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização. Carismático e empático, é muitas vezes apelidado de “Francisco asiático”. Apesar de ter perdido visibilidade nos últimos tempos, continua a ser uma referência importante.
- Jean-Claude Hollerich (Luxemburgo, 66 anos) Arcebispo do Luxemburgo e relator-geral do Sínodo da Sinodalidade. É uma figura articulada e comprometida com uma visão reformista da Igreja.
Perfis mais conservadores
- Robert Sarah (Guiné, 79 anos) Ex-prefeito da Congregação para o Culto Divino. Figura de grande prestígio junto dos sectores conservadores, conhecido pela sua defesa da liturgia tradicional e da doutrina firme.
- Raymond Burke (EUA, 76 anos) Crítico de várias decisões de Francisco, especialmente em matéria litúrgica e disciplinar. A sua eleição é pouco provável, mas continua a ter influência junto de círculos mais tradicionais.
Candidatos que podem surpreender
- Fridolin Ambongo (República Democrática do Congo, 64 anos) Arcebispo de Kinshasa e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar. Destaca-se pelo seu compromisso com a justiça social, a paz e o cuidado da criação.
- Jean-Marc Aveline (França, 66 anos) Arcebispo de Marselha. Tem trabalhado intensamente no diálogo inter-religioso, especialmente no contexto do Mediterrâneo. É uma figura pastoral próxima das comunidades migrantes.
- Peter Turkson (Gana, 76 anos) Teólogo e pastor de grande experiência, conhecido pelo seu trabalho nas áreas do desenvolvimento humano e justiça social. Foi considerado papabile já em conclaves anteriores.
- José Tolentino de Mendonça (Portugal, 58 anos) Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Figura profundamente culta, com grande sensibilidade pastoral e teológica. É apreciado em vários sectores da Igreja, embora a sua juventude e perfil mais intelectual gerem algum debate.
O FUTURO EM DECISÃO
Mais do que uma transição administrativa, este conclave marcará uma etapa determinante para o futuro da Igreja. Estão em jogo diferentes visões e prioridades: uma Igreja sinodal ou mais centralizada, voltada para as periferias ou para a reafirmação identitária, próxima da realidade das pessoas ou defensiva face ao mundo.
Como recordava São João Paulo II na Constituição Universi Dominici Gregis, o Papa é eleito “não para exercer um poder terreno, mas para ser sinal visível da unidade da fé e da comunhão da Igreja”. É este sinal que os cardeais eleitores, em oração e discernimento, são chamados a reconhecer.
Uma nota pessoal
Acredito que este momento é uma oportunidade de graça. A escolha do novo Papa não é apenas responsabilidade dos cardeais: todos somos chamados a rezar, a reflectir e a renovar o nosso compromisso com uma Igreja que serve, que escuta, que evangeliza e que caminha com todos.
Que o Espírito Santo conduza a Igreja neste tempo decisivo. E que o novo sucessor de Pedro saiba responder, com sabedoria e coragem, aos desafios de um mundo em profunda transformação.
RRP.
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