
O APELO DO PAPA LEÃO XIV À FRATERNIDADE INTER-RELIGIOSA
No início do seu ministério como Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, o recém-eleito Papa Leão XIV dirigiu-se aos representantes de outras Igrejas cristãs e religiões com palavras que ressoam como um manifesto de continuidade e renovação. O seu discurso, proferido na celebração inaugural do pontificado, constitui uma lúcida reafirmação do caminho ecuménico e do diálogo inter-religioso como vias indispensáveis para a construção da paz.
Uma herança assumida com gratidão
Com profunda gratidão, Leão XIV evocou o legado do Papa Francisco, o Papa da Fratelli Tutti, cuja marca foi a fraternidade universal. Através do cultivo de relações pessoais e do estímulo a uma cultura do encontro, Francisco abriu caminhos corajosos de aproximação entre confissões e religiões, deixando como testemunho um estilo de presença dialogante e humilde, profundamente evangélico.
Leão XIV não só assume esta herança, como a inscreve na lógica da sinodalidade, reforçando a ligação íntima entre o “caminhar juntos” dentro da Igreja e o “caminhar com” os outros, num tempo em que a humanidade clama por pontes e não por muros.
O ecumenismo da fé e o ecumenismo da caridade
O novo Papa recorda que a unidade entre cristãos não é apenas um ideal afetivo, mas uma exigência teológica: é em Cristo, e apenas n’Ele, que podemos ser um só corpo. Ao evocar o 1700.º aniversário do Concílio de Niceia, que formulou o Credo comum a tantas Igrejas e comunidades cristãs, Leão XIV renova o compromisso de buscar a plena comunhão — visível, concreta, vivida — entre todos os que professam a fé no Deus Uno e Trino.
No seu lema episcopal — In Illo uno unum — encontramos condensado o horizonte da unidade como dom e tarefa. A unidade começa na escuta obediente de Cristo e concretiza-se em passos humildes, mas firmes, no caminho comum.
Um diálogo que é mais do que tolerância
Ao dirigir-se aos representantes das demais religiões, Leão XIV reafirma com clareza: “Agora é tempo de diálogo e de construção de pontes.” Num mundo dilacerado por guerras, injustiças e ideologias de exclusão, a partilha de sabedoria espiritual, a cooperação prática e o respeito mútuo entre tradições religiosas tornam-se um imperativo.
Com particular atenção, o Papa sublinha a importância do diálogo judaico-cristão — enraizado na herança espiritual comum — e do diálogo com o Islão, baseado na adoração do Deus único, criador e misericordioso. Em tempos de polarização e de instrumentalização da religião para fins políticos, este testemunho de fraternidade sincera é um poderoso antídoto contra o medo e o ódio.
Um apelo urgente à paz e à justiça
O Papa Leão XIV não hesita em ligar o diálogo inter-religioso à ação concreta pela paz e pela justiça. Denuncia o armamentismo, a economia que mata e a destruição do planeta, e convoca todos — sem exceção — a dizer “não” à guerra e “sim” ao desenvolvimento integral.
Este é um ponto de grande atualidade: num tempo em que a diplomacia multilateral está paralisada, em que a ONU parece incapaz de travar os conflitos que devastam o mundo, a autoridade moral das religiões pode — e deve — ser mobilizada ao serviço da reconciliação e da esperança.
Servir juntos o bem comum
Neste novo tempo para a Igreja e para o mundo, o Papa Leão XIV convida-nos a viver como filhos do mesmo Deus e irmãos uns dos outros. Mais do que um ideal, este é um programa espiritual e político. Um programa que interpela os líderes religiosos, mas também cada crente, a ser artesão de paz, pontífice entre mundos, servidor da comunhão.
Que o caminho aberto por Leão XIV encontre em nós eco, coragem e fidelidade. Que sejamos, no coração deste mundo ferido, sinais da unidade possível.
RRP.
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